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2 de março de 2010

Do que estamos falando?

Cuidar das nossas crianças e dos nossos jovens. Todo e qualquer adulto deveria ter isso em mente. Porém, parece que a cada dia as pessoas vêm tornando-se mais imediatistas, despreocupadas com o futuro ou com a teoria da ação e reação, que invariavelmente se aplicará sobre suas decisões presentes.
Uma discussão em pauta atualmente é sobre a redução da maioridade penal. Hoje, um indivíduo de 18 anos que comete um crime, vai para a cadeia. Um de 16, não.
Há de se compreender, porém, que o adolescente também tem uma punição. Ele é encaminhado a instituições para menores infratores. Ele não fica impune. E, se fica (em casos restritos e por vezes súper badalados pela pobre mídia de massa), a falha está no processo judicial, ou seja, nos desdobramentos articulados por advogados e juízes que fazem, muitas vezes, um uso abusivo e mercenário da lei.
Diminuir a maioridade penal para 16 anos não surtirá efeito positivo algum em relação à violência. Se fizermos um comparativo, poderemos notar que há um número bem maior de delitos praticados por adultos do que por adolescentes. E há outro ponto: o que faremos, então, se um garoto de 15 anos cometer um crime? Baixaremos mais ainda a maioridade penal?
Num depoimento absurdo na Revista Época de 1º de março de 2010, a colunista Ruth de Aquino relembrou a decisão bárbara do tribunal inglês, que em 1993 condenou dois garotos de 10 anos à prisão perpétua pela morte de um menino de 2 anos. E a colunista ainda alegou estar falando de "certo e errado (...) falando de justiça".
É realmente assim que queremos tratar nossas crianças e nossos jovens? Eles não têm nenhuma forma de se redimir?
Algumas pessoas defenderão que as instituições são escolas de criminalidade, que os jovens saem de lá em situação pior do que entraram. Então seria melhor jogá-los na cadeia? Não ocorreria o mesmo? Ou pior?
A questão toda é que a mídia insiste em mostrar um infrator, um criminoso, como um ser essencialmente mal, sem nenhuma forma possível de remissão dos pecados. Em alguns casos, realmente existe alguma patologia psicológica, o que torna o indivíduo potencialmente perigoso. Mas eu disse "em alguns casos", não em todos.
O real foco não é o da diminuição da maioridade penal. Temos que lutar e defender o aprimoramento em excelência das instituição voltadas para esse menor, para que ele, no futuro, possa se redimir e voltar à sociedade com toda dignidade, valores reconstruídos, educação, boa auto-estima e um ofício.
Não sejamos impulsivos ao lidar com a vida dos outros. Não sejamos imediatistas.
Estamos falando de certo e errado. Estamos falando de justiça. E bem mais que isso, estamos falando de humanidade.

14 de março de 2009

Excomungue a tua mãe!

Em dias de loucura, na confusão da modernidade, nem a Igreja, como instituição, consegue salvar-se.
Certamente os brasileiros ainda não tiraram de suas mentes a imagem da barriguinha da menina de nove anos grávida de gêmeos. No começo do mês, chegou à esfera pública o caso de um padastro que abusava sexualmente de sua enteada desde que ela tinha seis anos de idade. Agora, aos nove anos, ela estava grávida e corria risco de vida, dado o seu quadro de subnutrição, como afirmou o médico Rivaldo Mendes de Albuquerque, 51 anos, professor de ciências médicas da Universidade Estadual de Pernambuco. Rivaldo foi um dos médicos que interromperam a gestação da menina. A consequência desse fato: a excomunhão pela Igreja Católica!
Como entender tudo isso? A excomunhão, movida pelo arcebispo de Olinda e Recife (PE) José Cardoso Sobrinho, foi aplicada a todos que participaram da interrupção da gravidez; até mesmo a mãe da menina. O arcebispo defendeu que a lei de Deus está acima de todas as coisas e que o fim não justifica os meios. Ou seja, o que importa se a vida da infante mãe corre perigo?
O que mais gera revolta é o fato da menina ser vítima de um crime contra a integridade e a toda moral, condenável em praticamente todo o mundo, mas ainda assim a interrupção da sua gravidez parecer uma ação errada aos olhos de muitas pessoas.
O problema maior é que o ser humano ainda não aprendeu uma antiga prática que funciona muito bem para analisar diferentes situações. A prática do "ponha-se no meu lugar"! É bem fácil, é só imaginar a menina de nove anos como a sua filha, ou como a sua irmã.
A Igreja Católica ainda mantém uma filosofia quase medieval que mascara os seus interesses e leva seus fiéis a um grau cada vez maior de alienação. Mas isso não é privilégio dos católicos. Às vezes me pergunto se as pessoas têm procurado Deus no lugar correto.
José Cardoso Sobrinho, o arcebispo do adora excomungar pessoas pra passar o tempo, ainda chegou a comparar o aborto, (atentem-se!!!) mesmo em casos de abuso sexual, com o Holocausto!
Senhor arcebispo, ponha-se no lugar daquela família e veja a menininha como sua irmã. Então, excomungue a tua mãe! Tente. E cuidado com as comparações, o Holocausto é um fato histórico muito sério. Acredita que tem uns e outros por aí que ainda dizem que ele não existiu?