14 de março de 2009

Excomungue a tua mãe!

Em dias de loucura, na confusão da modernidade, nem a Igreja, como instituição, consegue salvar-se.
Certamente os brasileiros ainda não tiraram de suas mentes a imagem da barriguinha da menina de nove anos grávida de gêmeos. No começo do mês, chegou à esfera pública o caso de um padastro que abusava sexualmente de sua enteada desde que ela tinha seis anos de idade. Agora, aos nove anos, ela estava grávida e corria risco de vida, dado o seu quadro de subnutrição, como afirmou o médico Rivaldo Mendes de Albuquerque, 51 anos, professor de ciências médicas da Universidade Estadual de Pernambuco. Rivaldo foi um dos médicos que interromperam a gestação da menina. A consequência desse fato: a excomunhão pela Igreja Católica!
Como entender tudo isso? A excomunhão, movida pelo arcebispo de Olinda e Recife (PE) José Cardoso Sobrinho, foi aplicada a todos que participaram da interrupção da gravidez; até mesmo a mãe da menina. O arcebispo defendeu que a lei de Deus está acima de todas as coisas e que o fim não justifica os meios. Ou seja, o que importa se a vida da infante mãe corre perigo?
O que mais gera revolta é o fato da menina ser vítima de um crime contra a integridade e a toda moral, condenável em praticamente todo o mundo, mas ainda assim a interrupção da sua gravidez parecer uma ação errada aos olhos de muitas pessoas.
O problema maior é que o ser humano ainda não aprendeu uma antiga prática que funciona muito bem para analisar diferentes situações. A prática do "ponha-se no meu lugar"! É bem fácil, é só imaginar a menina de nove anos como a sua filha, ou como a sua irmã.
A Igreja Católica ainda mantém uma filosofia quase medieval que mascara os seus interesses e leva seus fiéis a um grau cada vez maior de alienação. Mas isso não é privilégio dos católicos. Às vezes me pergunto se as pessoas têm procurado Deus no lugar correto.
José Cardoso Sobrinho, o arcebispo do adora excomungar pessoas pra passar o tempo, ainda chegou a comparar o aborto, (atentem-se!!!) mesmo em casos de abuso sexual, com o Holocausto!
Senhor arcebispo, ponha-se no lugar daquela família e veja a menininha como sua irmã. Então, excomungue a tua mãe! Tente. E cuidado com as comparações, o Holocausto é um fato histórico muito sério. Acredita que tem uns e outros por aí que ainda dizem que ele não existiu?

15 de fevereiro de 2009

Todos na mesma viagem


Tomar um ônibus, pegar a condução, ir de busão, tudo a mesma coisa, e milhões de pessoas se deslocam diariamente através desse meio de transporte. Porém, as irregularidades nesse sistema são constantes e se aplicam a diversas regiões brasileiras.
Não faz muito tempo, num dia de chuva, eu esperava meu ônibus no ponto. Hora do rush! A inexpressividade da frota que faz a linha do meu bairro, me fez esperar por mais de vinte minutos no ponto. Isso, na hora do rush é inconcebível, afinal, as pessoas querem ir pra casa após um longo dia de trabalho.
O ônibus veio. Lotado, é óbvio. A passagem? Cara. Dois reais por apenas quinze minutos de viagem. Se compararmos isso com os preços e o trajeto feito pelos ônibus dos grandes centros, como o Rio de Janeiro, podemos deixar até correr uma lágrima pelo rosto ao entregar aquela esfolada cédula azul da tartaruga marinha.
As poltronas... bem... não sei se eram macias, pois fiquei o trajeto todo de pé. De um pé, digamos. Era tão apertado o espaço que dispunha pra mim que tinha que me equilibrar sobre uma das pernas, segurar na haste superior de metal que estava completamente empoeirada, aguentar um sovaco no meu ombro e espantar um pernilongo com assopros.
Pessoas amontoavam-se antes e depois da roleta (catraca, borboleta, como quiser). Pessoas escoravam-se nas portas do ônibus. E, por mais impressionante que possa parecer, o motorista continuava a parar nos pontos quando algum pedestre fazia um sinal. Talvez ele fizesse isso pelo simples prazer em ver a indignação de quem, logicamente, não conseguia embarcar.
O aroma de suor, calça jeans molhada e chulé de criança saída da escola completavam o clima do agradável ambiente.
Dizem que os idosos acima de 65 anos e crianças até a quarta série têm passagem gratuita, porém já pararam pra pensar o porquê da nossa passagem ser tão cara? Pois é, existe uma coisa que eu gosto de chamar de "pagar o pato". Ônibus lotado pra garantir a despeza com todos os velhinhos e crianças melequentas.
Gente não é carga. Ônibus não é lata de sardinha. Dinheiro não é capim. A situação é revoltante, mas continuo preferindo um ônibus lotado a um carro com um só passageiro.

30 de janeiro de 2009

Mas será o Kingdom Hospital?

Há um tempinho fui a um hospital da minha cidade. Um hospital que atende pelo Sistema Único de Saúde (o famigerado SUS). Acontece que este hospital é assombrado! Sim, garanto isso através de fatos.
É muito curioso o fato de que você não consegue nenhuma informação satisfatória das atendentes. Eu me arriscaria até a dizer que elas são zumbis. E são zumbis que mal se entendem, porque ficam te lançando de sala em sala, balcão em balcão para falar a mesma coisa, ou melhor, para não falar a mesma coisa, porque elas não falam nada que preste.
É interessante observar também como este hospital, que é um espaço público,recebe bem o público, ou seja, a população, que é a verdadeira "dona" do lugar. Tente falar com o diretor. Tente falar com qualquer um de um cargo mais alto. É impossivel. Creio que estes chefões sejam vampiros e não possam sair à luz do sol, pois morreriam. Vampiros como são, sugam o sangue das bolsas de transfusão. E é por isso que estão sempre precisando de sangue, mesmo que não façam nada com esse sangue.
Mas o que mais impressiona não são as secretárias zumbis e muito menos os diretores vampiros. O que mais impressiona é a doutora fantasma!
A doutora fantasma é assustadora! Vai num balcão e pergunta: Cadê a doutora? A zumbi responde: Tá ali. Você vai até o outro setor e pergunta: Cadê a doutora? Outra zumbi responde: Tá lá. E fica nisso!
Daí, quando você encontra a zumbi que parece um pouco menos afetada pelo virus, ela procura em todo o hospital e depois diz: A doutora não está aqui! Ela não veio. Você, assustado com o fantasmagórico hospital, vai embora. Porém, por desencargo de consciência, antes de sair, você pergunta para um último zumbizinho que zumbizava por ali: Cadê a doutora? E ele fala: Ela passou por aqui agora pouco!
Cruz-credo, morro de medo de assombração!
Fala sério, Stephen King morreria de inveja de mim, se soubesse dessa história. Kingdom Hospital pra mim é fichinha!

Clima ruim: Descaso com a população. Saúde é coisa séria e um dia todo mundo vai morrer. Acredito na justiça e mais ainda na divina. Um dia todos esses monstros vão pagar. Ah vão!